ENTREVISTA
CUSTOS CONDOMINIAIS SOBEM MAS TAXA DE ADMINISTRAÇÃO PERMANECE ESTÁVEL
O vice-presidente da AABIC, Antonio Couto, possui grande experiência em administração empresarial. Como gerenciador da área de administração imobiliária responde a perguntas do dia-a-dia do morador.

Os condôminos, de uma forma geral, se sentem parceiros das administradoras de imóveis?

Duas observações cabem sobre essa relação. A primeira é que nunca foi feita uma análise aprofundada a respeito dessa parceria. Hoje, em cada dez condôminos, cinco não sabem qual é a administradora responsável pelo edifício. Segunda é que não há por parte do morador interesse sobre a administração, o edifício é apenas seu dormitório. Os demais condôminos esperam garantia de conforto, bom atendimento e que tudo no prédio esteja sempre limpo e em ordem.

Administração de imóveis significa apenas cuidar do sorteio de garagens e dos custos operacionais de um condomínio?

Atualmente, administrar um imóvel representa um enorme conjunto de complexidades e responsabilidades. São novos serviços e de forma especial as questões trabalhistas, operacionais e tributárias. O condomínio ainda não é caracterizado como pessoa jurídica, mas, o nível de complexidade de gestão, pagamentos e impostos, corresponde ao de uma multinacional.

Como conviver com os aventureiros do mercado que ignoraram a complexa montagem de uma estrutura administrativa séria?

Conviver não é a palavra, mas, sou otimista relativamente à questão. Hoje existe um “boom” imobiliário no Brasil, as terceiras gerações de famílias já estão morando em condomínios e verifica-se uma tendência real de serem sanados os principais problemas administrativos. A pressão virá de vários setores forçando o governo a ter maior percepção em torno dos abusos cometidos no mercado e da necessidade de séria fiscalização.

As Associadas da AABIC representam 41,8% dos condomínios que operam dentro de um mercado crescente. Infelizmente, os síndicos menos avisados buscam apenas preço da administração e podem ser surpreendidos com desagradáveis notícias. Como competir com as taxas cobradas nesse mercado?

Quem compra os serviços das administradoras são os síndicos. As administradoras bem qualificadas têm obrigação de atender ao mercado e encontrar soluções que satisfaçam as diversas faixas de preço. É claro que os serviços são oferecidos em diferentes níveis de qualidade, mas quaisquer que sejam eles, jamais se poderá abrir mão das responsabilidades.

Quando essas empresas que praticam concorrência predatória deixam de recolher taxas e impostos, quem paga a conta?
Diante desses erros, basicamente, quem paga a conta é aquela aposentada de mais de 80 anos, que nunca foi a uma assembléia, que passou dificuldades em sua vida, e que agora tem que assumir a bomba gerada pela omissão do síndico. Quando ela estoura, ele se faz de morto e quer dividir o prejuízo com todos os moradores.

• Há alternativas para diminuir os custos condominiais?
Não, não há. O que é possível e praticado pelo mercado é quando há um número muito maior de unidades por edifício, barateando o rateio. E a única forma de buscar solução, é conseguir uma divisão maior, para tornar mais acessível os custos condominiais a cada morador. Quem morar em prédios com poucas unidades vai enfrentar valores muito maiores.

FONTE: REVISTA ASSOCIAÇÃO DAS ADMINISTRADORAS DE BENS IMÓVEIS E CONDOMÍNIOS DE SÃO PAULO - Nº 138 - PÁG.10
DATA: MAIO/2008