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Os condôminos, de uma forma geral, se sentem parceiros
das administradoras de imóveis?
Duas observações cabem sobre essa relação.
A primeira é que nunca foi feita uma análise aprofundada
a respeito dessa parceria. Hoje, em cada dez condôminos, cinco
não sabem qual é a administradora responsável pelo
edifício. Segunda é que não há por parte
do morador interesse sobre a administração, o edifício
é apenas seu dormitório. Os demais condôminos esperam
garantia de conforto, bom atendimento e que tudo no prédio esteja
sempre limpo e em ordem.
• Administração
de imóveis significa apenas cuidar do sorteio de garagens e
dos custos operacionais de um condomínio?
Atualmente, administrar um imóvel representa um enorme conjunto
de complexidades e responsabilidades. São novos serviços
e de forma especial as questões trabalhistas, operacionais
e tributárias. O condomínio ainda não é
caracterizado como pessoa jurídica, mas, o nível de
complexidade de gestão, pagamentos e impostos, corresponde
ao de uma multinacional.
• Como
conviver com os aventureiros do mercado que ignoraram a complexa montagem
de uma estrutura administrativa séria?
Conviver não é a palavra, mas, sou otimista relativamente
à questão. Hoje existe um “boom” imobiliário
no Brasil, as terceiras gerações de famílias
já estão morando em condomínios e verifica-se
uma tendência real de serem sanados os principais problemas
administrativos. A pressão virá de vários setores
forçando o governo a ter maior percepção em torno
dos abusos cometidos no mercado e da necessidade de séria fiscalização.
• As Associadas da AABIC representam 41,8% dos condomínios
que operam dentro de um mercado crescente. Infelizmente, os síndicos
menos avisados buscam apenas preço da administração
e podem ser surpreendidos com desagradáveis notícias.
Como competir com as taxas cobradas nesse mercado?
Quem compra os serviços das administradoras são os síndicos.
As administradoras bem qualificadas têm obrigação
de atender ao mercado e encontrar soluções que satisfaçam
as diversas faixas de preço. É claro que os serviços
são oferecidos em diferentes níveis de qualidade, mas
quaisquer que sejam eles, jamais se poderá abrir mão
das responsabilidades.
• Quando essas empresas que praticam concorrência
predatória deixam de recolher taxas e impostos, quem paga a
conta?
Diante desses erros, basicamente, quem paga a conta é aquela
aposentada de mais de 80 anos, que nunca foi a uma assembléia,
que passou dificuldades em sua vida, e que agora tem que assumir a
bomba gerada pela omissão do síndico. Quando ela estoura,
ele se faz de morto e quer dividir o prejuízo com todos os
moradores.
• Há alternativas para diminuir os custos condominiais?
Não, não há. O que é possível e
praticado pelo mercado é quando há um número
muito maior de unidades por edifício, barateando o rateio.
E a única forma de buscar solução, é conseguir
uma divisão maior, para tornar mais acessível os custos
condominiais a cada morador. Quem morar em prédios com poucas
unidades vai enfrentar valores muito maiores.