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Vizinhança do barulho

Morar em apartamento exige aprender regras da vida em condomínio

A expansão do setor imobiliário, com mais gente trocando casas onde até agora residia com familiares por apartamentos, exige que os novos moradores passem a conhecer como funciona a vida em condomínio.

A Caixa Econômica Federal, por exemplo, exige que futuros residentes em empreendimentos populares custeados pela instituição recebam um curso, uma espécie de "pré-natal" para quem espera por um imóvel.

- É fundamental repassar os direitos e deveres de todos - diz Roberto Zeni, gerente de Desenvolvimento Urbano da instituição.

Incorporadoras de imóveis para faixas de maior renda também oferecem aos clientes, já na assinatura do contrato, a minuta da convenção de condomínio contendo as regras básicas que vão nortear as leis nos espaços comuns.

- Próximo da entrega do apartamento, faz-se uma assembléia para elaborar o regulamento interno - conta Paula Guimarães, gerente de relacionamento com os clientes da Rossi Residencial.

Dentro do mesmo segmento, a Goldsztein mantém uma central de relacionamento direto com o cliente pela qual responde dúvidas por telefone, e-mail ou de forma presencial.

A quatro meses da entrega dos 440 imóveis do Residencial Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, parte dos compradores se reúne uma vez por mês com a técnica social de condomínio Édna Lunkes para discutir assuntos comuns a todos.

- É preciso lembrar, por exemplo, que o piso de um é o teto do outro - afirma Édna.

O casal Eloiza Silveira Oliveira, 37 anos, e Olmiro Ricardo Porto Rodrigues, 41 anos, estão à espera do primeiro imóvel. A auxiliar de enfermagem saiu da casa dos pais para uma moradia erguida nos fundos do mesmo terreno.

- Eu nunca morei em um apartamento. Tenho uma grande expectativa - conta Eloiza, que trabalha na emergência do Hospital Conceição à noite e espera contar com a compreensão dos vizinhos porque descansa durante o dia.

AS PRINCIPAIS CAUSAS DE ATRITOS
Relacionamento: as pessoas parecem estar sem paciência umas com as outras. Paira no ar um clima de desentendimento gratuito.

Barulho: seja de crianças correndo nas áreas térreas, de festas em horários impróprios, além das 22h, ou de praticantes de instrumentos musicais.

Inadimplência: saber que você está pagando as contas do vizinho é muito irritante.

Animais de estimação: cachorro e gato dentro de apartamento gera incômodo. Por ficarem muito tempo sozinhos, acabam latindo, miando. Bichos maiores intimidam.

Cerceamento do trânsito de crianças: com as pessoas optando por condomínios com infra-estrutura de lazer, os moradores não querem saber de delimitações e proibições nessas áreas.

Falta de participação em assembléia:
muitos condôminos não participam das assembléias e depois criticam a administração.

Falta de garagem: nos prédios onde o número de vagas é inferior ao de apartamentos, a gestão das garagens sempre gera conflito. Invariavelmente há um morador insatisfeito.

Gestão transparente do síndico: o síndico tem de prestar contas de forma clara. O cargo não pode ser vitalício.

FONTE: JORNAL ZERO HORA
DATA: 13/07/2008