ENTREVISTA: “Os consumidores vão fugir de empréstimos”
Em entrevista ao Diário de Natal, o consultor de empresas e auditor financeiro, Olegário Prestelo citou algumas consequências da crise econômica mundial para o Brasil e deu orientações à população e aos empresários. Na opinião do auditor, a situação para 2009 é um enigma e alertou que é preciso colocar o pé o freio. Por outro lado, Prestelo afirmou que até o final de 2008 não vai existir uma grande mudança nas empresas do país. ‘‘O Brasil é um país emergente, e esses países estão sofrendo menos, porque o grande problema está nos países capitalizados. O Brasil ainda está numa fase inicial de abertura de capital, que começou há cerca de dois anos’’, afirmou.

Diário de Natal: Como as empresas devem se preparar para 2009? Elas devem pisar no freio dos investimentos?

Olegário Prestelo: Na verdade o que vai acontecer em 2009 é um enigma. Se a gente tivesse uma bola de cristal seria bom, mas isso é um grande enigma para todas as áreas - algumas mais preocupantes do que outras. Sabemos que hoje, a exemplo do que aconteceu nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os países da Europa, o grande problema foi na parte imobiliária. Aqui no Brasil, o presidente do Banco Central e o ministro de planejamento, já lançaram uma medida provisória, claro que não para ser usada de imediato, mas como uma precaução. Inclusive está havendo um grande questionamento sobre disso. Em função desse enigma de 2009, o governo poderá liberar recursos comprando ações tanto no mercado imobiliário - das grandes construtoras que estejam com suas ações cotadas em bolsa -, como também dos pequenos bancos que estivesse com recursos escassos. Não é que existam bancos brasileiros em situação de queda, pelo menos é o que foi dito. Mas existe uma preocupação, uma escassez de recursos. Dinheiro o mercado tem nos bancos, mas como forma de precaução, eles não estão liberando. Então, essa escassez de recursos faz com que o mercado se retraia.

Em quanto tempo o sr. acredita que essa situação pode mudar?
A expectativa é para daqui a um ano, ou um ano e maio. Ninguém espere que isso mude à curto prazo. Quem quiser fazer algum tipo de endividamento, não faça agora.

Que orientações o sr. daria ao consumidor que vai receber seu 13º salário, que normalmente gasta com festas de fim de ano? Acha que vai ter um impacto maior nos gastos do início do próximo ano?
Eu diria que a situação dessas pessoas que recebem seu 13º, não vai mudar muito. O conselho é aquele mesmo que é dado todos os anos: tenha precaução. Boa parte recebe no próximo mês a primeira parcela e alguns até já receberam no meio do ano. Sabe-se que a cada início de ano o nível de despesas é maior, material escolar, IPVA, IPTU, as próprias férias. Então esse recurso que as pessoas recebem, esse algo a mais, deve ser direcionado para isso. Procure não se endividar. E agora mais ainda, porque a tendência dos juros é aumentar. Então se puder fazer esse dinheiro valer aquilo que você precisaria desembolsar para quitar essas contas, é o mais interessante. Além disso é bom lançar mão de cartão de crédito, cheque especial, nem pensar.

A população já percebeu a gravidade da crise?
A grande população não percebeu. Nós observamos que a última grande data consumidora foi o Dia das Crianças e o comércio esteve muito bem. A grande massa não percebeu. Mas na verdade é que a crise ainda não chegou até ela.

O sr acha que, diante da escassez de recursos, as pessoas vão recorrer aos empréstimos ou fugir deles?
Eu diria que vão fugir, aliás já fugiram. Os próprios bancos estão mais precavidos em emprestar. Antes você era abordado pelas financeiras, recebia diversas propostas. Hoje os bancos estão mais precavidos e exigentes. O crédito já não está borbulhando como antes, isso em todo o mercado. Por isso o mercado está tão retraído, em termos de empréstimos. O próprio Banco Central já colocou uma operação redesconto, para que os bancos tivessem recursos - que são dos depósitos à vista -, e ficam retidos lá. O Banco Central fica controlando, tanto que agora ele colocou mais recursos à disposição.

Que repercussão pode ter essa crise no campo do emprego?
Esse reflexo vai se dar nas grandes construtoras. O grande mercado de emprego das cidades, em especial do Nordeste e na área de construção civil. O governo está tentando jogar condições de socorrer essas empresas e a preocupação é o emprego. A faixa da população que tem carteira assinada vem crescendo, então esse ano foi bastante significativo o número de pessoas com carteira assinada. Espera-se ainda que em 2009 pelo menos se repita o que aconteceu em 2008. Mas a tendência é que haja uma redução. Não sou otimista ao ponto de achar que em 2009 vai ter a mesma condição de empregos que teve em 2008. Hoje eu diria que no Brasil as pessoas ainda estão com o sentimento de medo, mas o mercado acionário no país não tem motivos próprios de cair.

O pequeno empresário já sentiu as consequências da crise?
Eu não acho que a curto prazo ele vá sofrer. Seria de cima para baixo: o grande empresário, aquele que tem sua empresa de capital aberto - essa vai sentir, aliás já sentiu -, porque o valor da sua empresa caiu assustadoramente. O valor das ações da Petrobras e da Vale, por exemplo, estão no negativo. As grandes empresas sentem, mas o pequeno empresário, nesse instante, eu diria que à curto e médio prazo, não precisa se preocupar, pois a crise não vai afetá-lo diretamente.

Esta crise já tem sido comparada com a de 1929 e alguns acreditam que ela possa ser pior. Considerando que em 1929 a ciência Economia não estava preparada e que a velocidade da informação nos dias de hoje é completamente diferente daquela época, não há um exagero na comparação entre estas crises? Não estamos mais bem preparados para enfrentar uma possível crise global?
O ser humano, ainda bem, ele tem memória. Em 1929, houve a grande recessão, como sempre começando nos Estados Unidos, e atualmente o mundo - com esse aprendizado -, está mais preparado. A nossa grande vantagem é que hoje as pessoas dizem que a crise ainda não chegou ao topo.


FONTE: Diário de natal
DATA: 05/11/2008

EUA correm risco de 'forte contração'
do PIB no 4º trimestre
A presidente do Federal Reserve (Fed) de São Francisco, Janet Yellen, estimou que a economia americana pode recuar fortemente no quarto trimestre, depois do leve retrocesso do Produto Interno Bruto (PIB) registrado.
"Os dados divulgados na manhã de hoje (quinta-feira) revelaram que a economia se contraiu levemente no terceiro trimestre. Para o quarto trimestre, uma forte contração da economia parece provável", declarou Yellen em uma conferência na Universidade de Berkeley (Califórnia, oeste).
Segundo os números publicados dia 30 de outubro último, pelo departamento de Comércio, o PIB americano caiu 0,3% no terceiro trimestre de 2008 a ritmo anual, em relação ao trimestre anterior.
Yellen defendeu a idéia de um pacote de ajuda federal para os proprietários e para o mercado imobiliário, para complementar as medidas de apoio à economia já adotadas pelas autoridades.
"Outra abordagem para resolver a crise passa por uma ação direta contra os problemas que afetam o mercado imobiliário, ou seja, um aumento da ajuda aos proprietários desamparados para reduzir o número de imóveis confiscados, ou mesmo através de incentivos para estimular a compra de imóveis", declarou Yellen em Berkeley.

 

FONTE: Portal G1
DATA: 3010/2008



Estrangeiros ainda investem no mercado imobiliário e de turismo do Nordeste
Belas praias, riquezas culturais e gastronômicas são alguns dos principais atrativos do Nordeste brasileiro. Para os investidores o tamanho da população e a estabilidade econômica do Brasil são itens que, junto aos destinos turísticos, fazem da região um pólo para o mercado imobiliário de lazer.

De acordo com a diretora-regional do Cityscape Latin America, evento do mercado imobiliário latino-americano, Maria Zoraide Stark, mesmo com as turbulências nos mercados, a situação do país é favorável. "Observa-se uma expansão para além do eixo Rio-São Paulo, com diversas construtoras anunciando empreendimentos no Nordeste. A região deve atrair cerca de R$ 6 bilhões no segmento de hotelaria e turismo nos próximos três anos", completa.

Um exemplo são os grupos de investidores portugueses, como Pestana e Vila Galé. O primeiro, que já investiu R$ 250 milhões no Brasil, pretende ampliar os negócios com mais R$ 160 milhões no Praia das Fontes Hotel Resort - Beberibe, localizado no Ceará. O segundo planeja aplicar R$ 50 milhões até 2009 com a construção de um resort na Praia de Cumbuco, em Caucaia (CE). Além disso, os grupos Six Senses Resorts & Spas e Txai Resorts vão construir dois hotéis seis estrelas, no litoral de Alagoas, Maragogi.

"Há uma explosão de investimentos por parte de grupos turísticos e imobiliários internacionais. Somente a soma dos projetos portugueses e espanhóis alcança R$ 3,7 bilhões. Até 2014 estão previstas 7.250 novas unidades imobiliárias na região. Segundo dados do Banco Central, os Estados Unidos são responsáveis por 16% dos investimentos em imóveis de segunda residência por não-residentes, que fica em primeiro lugar. Atrás fica Espanha com 13%, Itália com 10% e em 5º lugar o Reino Unido com 8%", afirma o presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Nordeste Brasileiro (ADIT Nordeste), Felipe Cavalcante.

Os investimentos voltados à segunda residência ou de férias, localizadas em condomínios fechados de destinos badalados e paradisíacos, começam a ganhar destaque no Brasil, principalmente, para atender a demanda de norte-americanos e europeus. Nos próximos oito anos o Nordeste deve comercializar entre 80 e 100 mil imóveis com essa finalidade.

Segundo o diretor-geral do Group RCI para o Brasil, Alejandro Moreno, o primeiro empreendimento a comercializar casas neste sistema é o Itacaré Paradise, na cidade baiana de Itacaré. "Nós estamos otimistas com o mercado brasileiro para desenvolver o conceito de Time Share, Fractional ou Condo Resort", conta.

Para discutir negócios ligados ao desenvolvimento do setor, o Informa Group promove o Cityscape Latin America, que acontece entre os dias quatro e seis de novembro, em São Paulo, no Transamérica Expo Center. Moreno é um dos palestrantes do painel sobre o segmento de hotelaria e turismo que acontece no segundo dia e vai abordar a evolução do mercado na América Latina, além de contextualizar os anseios dos investidores e apresentar casos de sucesso.



FONTE: Portal dos Administradores
DATA:30/10/2008

TURBULÊNCIA GLOBAL
“Estou comprando um imóvel”, conta Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, parece seguir à risca a instrução que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu à população de não se deixar afetar pelo temor da crise e continuar a consumir para manter a economia doméstica aquecida.

– Não costumo dizer isso, mas estou comprando um imóvel – declarou ontem, quando questionado sobre se adquiriria um automóvel em 60 prestações ou um imóvel em 15 anos.

Mantega não revelou a localização do imóvel nem o valor, mas relatou ter negociado o pagamento em “oito ou 10 parcelas” – diretamente com o proprietário. O ministro recomendou que atitudes como essa fossem seguidas pela população.

– Devemos procurar ter uma vida normal. Sabe por quê? Se todo o mundo fica com medo, aí é que você vai criar um problema econômico – disse Mantega, acrescentando que as decisões de deixar de comprar um carro ou de consumir acabam por reduzir o nível da atividade econômica.

O raciocínio do governo é o de que, ao estimular a economia doméstica, os riscos de uma contaminação externa da crise financeira tornam-se menores porque o país poderia, assim, manter seu crescimento com base em sua própria atividade. O ministro salientou, porém, que, no caso dos empresários, a situação é levemente diferente porque eles necessitam de capital de giro.

Na reunião entre Mantega, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ficou decidido que o governo vai correr para destinar crédito aos setores de construção civil, agrícola, automobilístico e dar garantiras de capital de giro de modo geral e para pequenas e médias empresas. Também chegou-se à conclusão de que as medidas anunciadas pelos governos norte-americanos e europeus para conter os efeitos da crise financeira mundial não estão surtindo o efeito desejado.


 

 
FONTE: Jornal Zero Hora
DATA: 28/10/2008


Setor imobiliário não deve parar de crescer

(*) Romeu Chap Chap

Não há como não concordar com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Em recente palestra no Secovi-SP, ele afirmou com muita propriedade que, apesar da crise financeira mundial, o Brasil não tem motivos para conter o crescimento da economia e, por extensão, o do mercado imobiliário, o que renovou nosso otimismo.
Segundo Coutinho, a falta de confiança será paulatinamente superada, pois os governos estão determinados, em todo o planeta, a socorrer instituições financeiras em dificuldades. E no Brasil não está sendo diferente. Haverá, sem dúvida, longo processo de digestão, e os capitais vão fluir em volume menor, de forma até mais cautelosa e seletiva. Mas não há razão para frear o crescimento.
O Brasil mantém sua atratividade, pois já consolidou as bases do crescimento sustentável. Como muito bem nos lembrou Coutinho, na mesma palestra, temos um Banco Central firme e sério, política monetária eficiente e mercado doméstico com potencial bastante expressivo. Temos, portanto, as bases para manter os índices de crescimento da geração de empregos e de aumento da massa real de salários.
O presidente do BNDES também lembrou, em sua palestra, que o sistema de crédito brasileiro é saudável e o ciclo de investimentos conta com indicadores sustentáveis que lhe conferem capacidade de crescimento. Ou seja, a crise é séria, mas poderemos manter a economia, e, por conseguinte, o setor imobiliário, em crescimento.
Até porque o governo não pode deixar de continuar incentivando o setor, em razão dos efeitos imediatos deste no desenvolvimento econômico e social. E já o vem fazendo. Recentes medidas, adotadas depois da do Banco Central – que aumentou a disponibilidade de recursos aos bancos por meio da liberação do depósito compulsório –, vieram exatamente nessa direção. E não tenho dúvidas de que teremos mais.
Está claro que o governo não pretende ver instalada no País uma grave crise de crédito. E que está empenhado em garantir o desenvolvimento econômico. Em isso se confirmando, não haverá motivos para que os adquirentes deixem de comprar imóveis ou fujam para outros investimentos, pois tudo indica que o mercado não vai parar de crescer.
Quem estava em negociação, antes da crise, deve e com certeza