Turbulência mundial provoca liquidação em vários setores do Brasil
A crise de liquidez de crédito provocou, nas últimas semanas, uma liquidação quase generalizada em vários setores da economia. Do tradicional comércio de eletroeletrônicos, de materias de construção e de veículos, a onda de promoções chegou até às construtoras e aos cruzeiros marítimos. A ordem do departamento comercial das empresas é dar desconto, esticar prazos de pagamentos e fixar valor de dólar abaixo da cotação real do mercado para manter o ritmo de vendas.
Embora as companhias não admitam que o objetivo das liquidações seja trasformar os estoques de produtos e serviços em dinheiro e ganhar fôlego para enfrentar os tempos bicudos de capital de giro caro e escasso nos bancos, as evidências desse movimento não são poucas. Além disso, o dinheiro em caixa acaba sendo uma moeda de troca valiosa na mão do comércio para frear os aumentos de preços da indústria, que já começaram a se desenhar por causa da disparada do câmbio.
"Diante da desaceleração nas vendas e do crédito limitado, as empresas precisam se mexer, colocar o estoque para fora, especialmente de produtos de maior valor, como eletrodomésticos, veículos e imóveis", afirma o professor da faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), Nelson Barrizzelli. Ele explica que a estratégia da liquidação para impulsionar as vendas faz sentido neste momento porque o movimento de freada nas compras não foi desencadeado pelo consumidor, que continua empregado. A desaceleração das vendas no varejo é resultado da abrupta redução na oferta de crédito. O que chama atenção é que as liquidações ou promoções ocorrem também em setores inusitados. A construtora Agra e a incorporadora Abyara, por exemplo, criaram um site na internet para liquidar imóveis, batizado de Supertudo. Inicialmente a campanha promocional estava prevista para terminar em outubro, mas, segundo o diretor Comercial da Agra, Eduardo Telles, foi prorrogada para este mês em razão do bom desempenho.
A campanha envolve cerca de 170 apartamentos de alto e médio padrão, a maioria em fase de construção, localizados em São Paulo, Santos (SP) e São Bernardo do Campo (SP). Os descontos variam entre 5% e 15% no valor total do imóvel. As duas companhias optaram por alongar o prazo de pagamento e reduzir o valor da entrada.

FONTE: Jornal do Comércio
DATA: 11/11/2008

Comprar para alugar pode ter bom retorno
Os mercados enlouqueceram, e a rotina é quase a mesma, dia sim, dia não. Ao ligar o rádio ou acessar a internet logo pela manhã ao longo das últimas semanas, a notícia se repetiu um bocado de vezes: bolsas asiáticas em franco declínio, acompanhadas pelas européias e, por fim, pelo ocidente. São Paulo, centro nervoso da economia nacional, não ficou imune à crise.
Já enfrentamos situações similares, por motivos diversos, especialmente na última década. Depois de um longo período de bonança, agora é a expectativa de uma recessão mundial que atormenta a vida dos investidores, gera turbulências, nervosismo, pessimismo, tensão. Nessas horas é inevitável que muitos investidores busquem alternativas à volatilidade aguda que o mercado financeiro está vivendo, além, evidentemente, da alta do dólar.
A tendência, inexorável, é a migração para o investimento em imóveis, residenciais ou comerciais, visando à renda proporcionada pelo aluguel mensal e, no longo prazo, à valorização da unidade, que será então comercializada. Esse movimento natural deverá ser deflagrado em pouco tempo, à medida que as pessoas perceberem que os altos e baixos do mercado financeiro irão perdurar, conforme alguns analistas nacionais e internacionais já comentam.
Tal migração ainda não ocorreu por influência da crise do mercado imobiliário norte-americano, mas há claramente, neste caso, uma certa confusão. Nos Estados Unidos, o problema aconteceu porque a concessão de crédito imobiliário era desenfreada. No Brasil, as regras ainda são bastante rígidas, e grande parte das vendas de imóveis são realizadas à vista.
Historicamente o imóvel representa, no Brasil, alternativa segura para investidores que não gostam ou não podem arriscar na montanha-russa das bolsas de valores. Nos últimos anos, entretanto, houve intensiva migração de investimentos para o mercado de capitais, de pessoas seduzidas pelos ganhos expressivos e incomparáveis com a compra e venda de ações, e que realmente foram vultosos em um momento de estabilidade e crescimento da economia em todo o planeta. Parte dessas pessoas, agora, está, no mínimo, cética. E o ceticismo leva à prudência.
Hoje a rentabilidade dos imóveis alugados gira em torno de 1% do valor de venda, rendimento superior à caderneta de poupança e a muitos fundos de renda fixa. Soma-se a isso o fato de os lançamentos imobiliários terem influenciado na valorização de diversas regiões do País, especialmente em São Paulo, e temos um cenário promissor para quem não quer correr riscos e nem tem necessidade de liquidez para seu investimento.
Mas o mercado imobiliário, assim como qualquer outro, exige conhecimento, informação, cautela e assessoria técnica. Para ter retorno competitivo é preciso, antes de tudo, comprar bem, observando a vocação da região e do imóvel desejado, potencial de rentabilidade e condições de conservação da unidade, dentre outros quesitos. Uma opção interessante é adquirir imóveis já alugados, evitando o risco de ter que arcar com despesas como IPTU, condomínio e conta de água enquanto a nova locação não for fechada.
Mais do que apenas alugar, é preciso controlar e acompanhar o andamento dos contratos. O locador precisa, por exemplo, estar atento a todos os detalhes da administração, inclusive ao recolhimento de uma série de encargos que são emitidos em nome do proprietário do imóvel, mas que em geral são pagos pelo inquilino.
A locação deve ser, portanto, administrada, assim como as aplicações financeiras são gerenciadas por bancos ou corretoras, sob pena de o locador se ver às voltas com passivos ao longo ou ao término do contrato. O porto seguro imobiliário é, sem sombra de dúvida, uma realidade, desde que o investidor possa acompanhar todos os passos e seja respaldado por consultores especializados nesse mercado.

 

FONTE: Jornal Gazeta Mercantil
DATA: 06/11/2008



Imóveis: setembro no positivo
No mês de setembro, a taxa de velocidade de vendas _ relação das vendas sobre as ofertas_ de imóveis novos em Porto Alegre foi de 13,06%, segundo pesquisa mensal do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RS). É bom lembrar que a crise mundial foi deflagrada justamente em meados de setembro. Portanto, a crise, a julgar pelo mês de setembro, ainda não atingiu o setor.

A taxa média dos últimos 12 meses de velocidade de vendas no mês de setembro atingiu 14,98%, percentual bem acima do observado no mesmo período em setembro de 2007, quando foi de 9,94%.

Em números absolutos, em setembro, foram comercializadas 488 unidades novas, acumulando, no ano, de janeiro a setembro, 4.600 unidades, o que significa um incremento de 52,93% na comparação com o volume comercializado em igual período do ano anterior, que foi de 3.008 unidades.

As vendas foram puxadas pelos apartamentos de três dormitórios, representando 47,95% do total de negócios realizados, seguidos dos apartamentos de dois dormitórios, que representaram 42,62% do total comercializado no mês.

Por faixa de valor, a maior concentração de negócios ficou com os imóveis na faixa de R$ 136 mil até R$ 178 mil, seguidos dos imóveis entre R$ 178 mil até R$ 230 mil. A pesquisa mostra ainda que seis bairros concentraram 66% do volume de imóveis negociados em setembro: Jardim Itália, com 16,80% dos negócios, seguido de Cristal (15,98%), Vila Ipiranga (13,11%), Santana (7,17%), Petrópolis (6,97%) e Rubem Berta (5,94%).

FONTE: Jornal do Almoço - RBS TV
DATA:05/11/2008

O peso da mão-de-obra
Ao definir o valor de um imóvel, o construtor precisa levar em consideração uma série de fatores, entre eles o custo da mão-de-obra. Um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), com apoio do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), muniu os empresários do setor da exata noção dos gastos com a contratação de um operário. Em função dos encargos previdenciários e trabalhistas que incidem sobre o segmento, o custo médio é de 132,45%.

Isso significa dizer que um funcionário com salário de R$ 1 mil, na verdade custa à empresa R$ 2.324,50. Os dados foram divulgados durante o 80º Encontro Nacional da Indústria da Construção (80º Enic) e reforçaram a reivindicação do setor por uma reforma trabalhista. Eduardo Henrique Moreira, proprietário da Engeclam Engenharia Ltda, diz que as pequenas empresas sofrem mais. "Quando informo ao cliente que a mão-de-obra custa R$ 5 mil, mas é preciso pagar R$ 11.622,50 ele reclama muito. Acha que estamos roubando. Mas esse é o custo para se trabalhar legalmente. Isso acaba gerando a informalidade", lamenta.

De acordo com o coordenador do Banco de Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), economista Daniel Ítalo Richard Furletti, essa é uma média que depende de inúmeras variáveis, mas serve de orientação. "É preciso muito cuidado na utilização do resultado apresentado, pois trata-se de uma média no país que considera apenas os encargos previdenciários e trabalhistas previstos em lei. Esse valor pode flutuar de acordo com a rotatividade de funcionários, acidentes de trabalho, benefícios oferecidos pela empresa e aqueles obrigatórios determinados pela convenção coletiva", ressaltou.

Os benefícios mais comuns previstos nas convenções coletivas de trabalho locais são café-da-manhã, cesta básica, vale-transporte, equipamento de proteção individual, seguro de vida em grupo, uniforme e outras variáveis, como periculosidade, insalubridade e custos advindos dos programas de saúde e segurança previstos nas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Estas despesas não foram consideradas, o que pode ensejar um resultado superior ou até mesmo inferior ao número apresentado.

O caso de Minas Gerais exemplifica isso. No estado, os encargos trabalhistas e previdenciários na construção civil chegam a 199,04%. Praticamente, duas vezes o valor do salário pago. A previdência e o aviso prévio indenizado (20%), repouso semanal (17,64%) e 13º salários são os itens que mais influenciam nesta conta. 

 

 
FONTE: Estado de Minas
DATA: 06/11/2008




Hoje a rentabilidade dos imóveis alugados gira em torno de 1% do valor de veda, rendimento superior à caderneta de poupança e a muitos fundos de renda fixa.

FONTE: Gazeta Mercantil
DATA: 06/11/2008



“Eu gosto de crises. Geralmente consigo sair melhor do que entrei nelas. Na crise energética de 2001 economizei energia e ainda mantive a produção. Só a crise me faz trabalhar direito"

Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração do grupo Gerdau, do Jornal do Comércio de 12/11/2008



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