Quitinete e 1 quarto são novo perfil
Antes, apartamentos da CDHU eram de 2 e 3 dormitórios; solitários ocupam 11%
das moradias paulistas, diz IBGE
Para atender os diferentes perfis da nova família brasileira, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) criou outras configurações de apartamento, além dos imóveis de dois e três dormitórios (de 48 e 55 m2) que constrói. Nas 85 unidades a serem entregues neste mês, 31 têm um dormitório e 29 são quitinetes. Solitários ocupam 11% das moradias paulistas, ou 1,4 milhão de domicílios, segundo o IBGE. Desses, 60% têm renda entre 1 e 10 salários mínimos, faixa atendida pela CDHU. Nos cortiços, chegam a 38% - ou 3 mil dos 38 mil que vivem nesse tipo de habitação no centro, 42% deles de 25 a 40 anos.

São pessoas como Antonio Gomes, solteiro convicto de 33 anos, que veio de Pernambuco aos 20 e desde então vive sozinho. Ele aguarda por seu quitinete no centro, perto da padaria onde trabalha, no Edifício Copan. "Se já é difícil me virar sozinho, que dirá sustentar dois", diz. Solitários, assim como famílias mononucleares e anaparentais e casais homossexuais são uma nova demanda para a CDHU. Mas a companhia não prevê aumento de recursos. "Não acreditamos numa avalanche de inscrições. Grande parte da demanda já estava prevista nos projetos de urbanização de favelas e erradicação dos cortiços. Só não sabíamos que haveria esses perfis", diz Eduardo Trani, chefe de gabinete da CDHU. Este ano, a companhia entrega 33 mil unidades e, em 2009, outras 45 mil estão previstas - o déficit habitacional no Estado chega a 620 mil.

Quando soube que o assentamento onde vive seria removido, a pintora Rosana Gomes, de 28 anos, procurou a CDHU. Solteira, sem filhos, teve o financiamento negado. No dia seguinte, a manicure Rose Ferreira, sua companheira há um ano, separada há cinco e mãe de uma menina de 7, voltou à CDHU na esperança de conseguir o apartamento. Ela não tinha como assumir sozinha as parcelas e explicou que as duas vivem em união estável e criam a menina juntas. "Disseram que o apartamento teria de ser só no meu nome. Mas a última carta da CDHU já veio com o nome das duas", comemora Rose. Cada uma terá 50%, e a menina será herdeira.

Sem filhos, os professores Reginaldo Alves e José Oliveira vivem juntos há 5 anos, mas sua renda era insuficiente para um financiamento privado. Eles acabam de receber da CDHU carta de crédito no valor de R$ 57 mil. A companhia exige de casais homossexuais uma declaração de união estável, registrada em cartório. Outras famílias têm de comprovar a relação afetiva e a convivência. Já os solteiros devem ter mais de 25 anos e renda suficiente.

Lilian Siqueira, de 19 anos, era apegada à avó e passava mais tempo na casa dela e da tia, Elaine, de 32, que com a própria mãe. Quando a avó morreu, Elaine e Lilian foram morar juntas. "Mas me disseram que seria impossível o financiamento, porque somos tia e sobrinha." Dias depois, receberam a boa notícia: elas esperam a entrega do apartamento de 48 m2 , onde cada uma terá seu quarto, em Franco da Rocha. A entrada foi de R$ 6 mil e 300 prestações de R$ 290. "Parece muito, mas é menos que o aluguel na Casa Verde; e esse será nosso", diz Elaine.

Danilo Silva, de 22 anos, foi criado pela avó, Maria Carmelita, de 70. Pela antiga regra, ela tinha direito apenas ao uso do apartamento - para compra, a idade somada ao tempo de financiamento não pode ser superior a 80 anos. Com renda de R$ 600, Danilo assumiu sozinho as prestações. Assim como a faxineira Maria Silva, de 49 anos, divorciada há 20. Ela não vê a hora de trocar a pensão onde divide cozinha e banheiro com estranhos por sua quitinete, no centro. Valdenice Maria, de 59 anos, que veio da Bahia aos 17 e sempre viveu em cortiços, será sua vizinha. Enquanto aguarda, ela mora em um quarto, ao lado da construção. "Está ficando lindo", diz.

FONTE: JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO
DATA :09/08/2008


Inflação e juros diminuem 'euforia' do mercado imobiliário do país
Com orçamento mais curto, financiamentos pesam mais no bolso.
Entretanto, imóveis para classe média mantêm mercado aquecido
O mercado imobiliário brasileiro vem batendo recordes nos últimos anos. Só no primeiro semestre deste ano, quase R$ 13 bilhões em recursos da poupança foram destinados ao financiamento da casa própria, segundo a Associação das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Mas a disparada da inflação neste ano e as altas nos juros trouxeram incertezas a esse panorama.

"No mercado imobiliário, a inflação mata", diz João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi). "É um medo de todo mundo, e o nosso setor também tem essa preocupação". Por conta desse temor, a velocidade de vendas de imóveis tem registrado desaceleração, aponta ele.

Segundo Crestana, o mercado vinha registrando um crescimento anormal, que a situação econômica atual tende a estabilizar: "Nossa velocidade de venda estava 30% acima do normal. Agora continua boa, mas não tanto."

Longo prazo
Efeitos mais profundos, no entanto, só serão sentidos se a deterioração no cenário econômico se prolongar.

Para 2009, a expectativa do setor da construção civil é de um crescimento de cerca de 10%, em linha com o registrado nos últimos anos. "Não é essa inflação que vai influenciar no crescimento, uma vez que a decisão de construir já foi tomada anteriormente. Achamos que vai influenciar a partir do segundo semestre do ano que vem", diz Sergio Watanabe, presidente do Sinduscon.

Com um processo de maturação longo, o mercado imobiliário tem uma inércia diferente dos demais. Uma decisão de investimento tomada no início do ano ainda começará a sair do chão em 2009. A partir daí, geralmente uma obra não demora menos de um ano e meio para ficar pronta.

"O mercado imobiliário tem uma inércia muito diferente dos outros, e o processo demora cerca de seis meses para começar a ter algum tipo de reação. Ainda é muito cedo para saber o que vai acontecer", diz Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). "Se nesse meio tempo tudo voltar ao lugar, acaba tendo quase nenhum reflexo", aponta.

Fonte: Portal G1 - Rede Globo
DATA: 16/08/2008



Investidores buscam porto seguro para dinheiro
Vistos como portos seguros, a poupança e o mercado de imóveis para locação se tornaram opções interessantes para os investidores brasileiros. A primeira, tradicional queridinha dos poupadores e preferida da maioria da população de baixa e média renda, fechou julho com saldo acima de R$ 250 bilhões, ou seja, ultrapassou uma marca nunca antes atingida. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, somente no mês passado foi registrada uma captação líquida (diferença entre depósitos e saques) de R$ 1,985 bilhão, o melhor resultado do ano. Os depósitos somaram R$ 101,67 bilhões e os saques, R$ 99,68 bilhões. Já investir em casas, apartamentos e imóveis comerciais para alugar está em alta pela recuperação dos preços de venda, por causa da baixa oferta de unidades no mercado, e da alta do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), principal índice de correção dos aluguéis, que está em 15,11%, nos últimos 12 meses.

O movimento do aumento das apostas nos imóveis e das aplicações na segurança da caderneta de poupança coincide com a saída de investidores de aplicações mais arriscadas, como a Bolsa de Valores, ou fundos atrelados a ações. Ontem, foi mais um dia de recuperação para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que acabou favorecida pelo bom desempenho de ações ligadas ao setores, bancário, mineral (com destaque para a Vale) e siderúrgico. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, teve ganho de 1,90%. Porém, em julho, as perdas acumuladas ficaram, em média, em 8,5%. “As pessoas sempre correm para a poupança ou para os imóveis, quando se sentem inseguras”, afirma o analista de mercado Paulo Vieira.

A investidora Heda Gori Simões, por exemplo, acabou de ter o aluguel de um imóvel comercial que tem no Bairro Floresta, em Belo Horizonte, em 100%. Sua renda com a locação ficava em R$ 4 mil. Agora, por causa da nova situação do mercado o aluguel foi para R$ 8 mil. Ela tem outros seis imóveis comerciais na cidade e como está para receber um dinheiro extra já avisa: “Vou comprar mais, pelo menos, quatro imóveis”. Heda Simões já investiu em ações da Bolsa de Valores. “Mas saí. Tive uma forte descapitalização e foi uma decepção. Há muitos riscos. Prefiro os imóveis, bem mais seguros”, afirma.

O diretor de locação da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Carlos Samuel Freitas, explica que o retorno dos investidores para o mercado de aluguéis é pontual, porém mais forte em algumas regiões do país, como Minas Gerais, São Paulo e Paraná. “Tudo depende da oferta e da demanda. Onde há escassez os preços melhoram e são mais difíceis as negociações para deixar de aplicar o IGP-M em sua totalidade”, pondera. “O mercado está para o proprietário e não para o inquilino”, afirma o diretor da Lar Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues. O presidente da Câmara do Mercado Imobiliário do Estado de Minas Gerais (CMI-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, só acredita na recuperação da oferta, em Belo Horizonte, no fim de 2009.

Baixa oferta comanda mercado

A redução na oferta de imóveis nos últimos três anos é a principal responsável pela valorização do mercado de aluguéis. Em algumas imobiliárias são comuns filas de espera para locação. Os imóveis mais “raros” são aqueles com aluguéis entre R$ 500 e R$ 1,5 mil, segundo o presidente da CMI-MG, Ariano Cavalcanti. No país, a negociação para evitar o repasse total do IGP-M, com a oferta de descontos para a correção dos valores pagos mensalmente pelos inquilinos, cresceu cerca de 30%, de acordo com o diretor da Abadi, Carlos Freitas. Mas Cavalcanti garante que em Belo Horizonte o cenário é diferente por causa da escassez maior na oferta.

“Estamos repassando todo o IGP-M porque aqueles que saem dos imóveis não conseguem alugar nada semelhante por apenas 15% a mais. Normalmente, têm de pagar, em média, até 50% acima, por apartamento do mesmo padrão”, acrescenta Luiz Rodrigues, da Lar Imóveis. Silvinho Ximenes, da imobiliária que leva seu nome, diz que há algumas negociações para dar desconto no IGP-M, porém são pontuais, “avaliadas caso a caso”.

Rodrigues observa ainda que apartamentos de dois quartos estão ainda mais raros. Tanto que alguns chegam a ter aluguel cotado nos mesmos patamares que os registrados para imóveis de três quartos. Cavalcanti lembra que o cenário atual é consequência de preços muito baixos praticados até 2005, quando a oferta de imóveis para locação estava alta. Naquela época, os inquilinos ganhavam vantagens. “Nessa brincadeira de gato e rato há momentos para os dois jogadores. Agora é o investidor que está na frente”, pondera Freitas. Para ele, o aquecimento da construção civil, observado este ano só vai garantir reflexos da melhoria de oferta nos próximos anos.

SEM ERRO

Poupança

É a melhor aposta para aqueles que têm menos de R$ 1 mil. Apesar da rentabilidade ainda ser baixa, os mais conservadores apostam na aplicação porque não tem taxas de administração, não é preciso pagar Imposto de Renda e ainda há liquidez ampla e imediata. Até julho, a poupança registrou retorno financeiro de 4,21%. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), da Fundação Ipead, ficou em 2,85%, no mesmo período.

Imóveis

O momento é de alta de preços nos aluguéis por causa da baixa oferta de unidades para locação e também pelo aumento do IGP-M, principal índice de reajuste das mensalidades.

Também existe a vantagem nos períodos de volatilidade, pois seus preços de venda não têm alterações expressivas de um dia para o outro. Vale lembrar que a liquidez não é ampla e imediata e, em momento de aperto, o proprietário pode não conseguir vender na hora que precisa.

Bolsa ou fundos de ações

Aqueles que têm recursos aplicados não devem sair. Mas os que ainda não investiram não devem fazer suas apostas. Alta volatilidade e risco. Mas há possibilidade de ganhos maiores, em prazos longos.

Fundos de investimento

Os fundos DI e de renda fixa permanecem como as aplicações mais rentáveis do ano, com ganho médio de 6,26% e 6,91%, de janeiro a julho. Não é recomendável investir menos de R$ 5 mil por causa da incidência do Imposto de Renda e das taxas de administração. Aplicações por curto período são perigosas.

Fonte: Portal UAI - Belo Horizonte - MG
DATA: 07/08/2008

Mesmo com elevação nas taxas de juros, lançamentos de imóveis não param
As atuais mudanças no cenário econômico mundial, com crescimento da inflação e dos juros não abalam o otimismo dos mercados imobiliário e construção civil do país que torcem para que os índices de reajuste de preços não se elevem a um patamar que possa prejudicar a expansão do crédito. O financiamento imobiliário, somada a uma recuperação na renda e nos empregos da população, contribui para que a demanda por novos imóveis continue aquecida.
Outro ponto a favor do mercado são as mudanças na legislação, como as ligadas à alienação fiduciária, o que assegura maior segurança na concessão do crédito. Há a expectativa que ocorra uma expansão das vendas financiadas de imóveis superior a 35% em comparação ao ano passado.
O número de lançamentos é grande e segue o otimismo inabalado do setor. Monitorando as mudanças no mercado imobiliário e de construção civil, o portal Unimob ( www.unimob.com.br ) - que desde fevereiro, disponibiliza uma ferramenta de busca por imóveis para compra, venda e aluguel - registrou em julho mais de cem novos lançamentos no território nacional, sendo que São Paulo e Recife agregaram o maior número de novos lançamentos.
Descobrindo novos horizontes - O mercado imobiliário passa por grande desenvolvimento atualmente, atraindo investimentos e expansão de negócios. Anteriormente com o foco mais voltados para classes altas, as construtoras e incorporadoras têm percebido o grande potencial do mercado de imóveis votados para imóveis mais econômicos destinados a classe C que, com maiores facilidades de compra, está se firmando como um público atrativo não apenas na área de habitação, mas também no poder de consumo de forma geral.

Fonte: Fator Brasil
DATA:13/08/2008


Mercado imobiliário e seguros